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Luta antirracista: como a escola pode contribuir?

Os noticiários de TV trouxeram recentemente tristes matérias sobre atos de racismo que escancaram mais uma vez a verdade: a discriminação por conta da cor da pele é uma realidade dolorosa e ainda muito forte no Brasil. No entanto, é possível combater isso e a escola tem um papel primordial nesse sentido. Uma boa educação é uma das ferramentas mais poderosas na luta antirracista.

No fim de 2020, a morte de um homem negro, João Alberto Silveira Freitas, em um supermercado no Rio Grande do Sul, comoveu o Brasil e o mundo e evidenciou ainda mais a violência desmedida contra pessoas não brancas.

Ao longo do mesmo ano, várias outras ocorrências de racismo ganharam a atenção dos brasileiros. Um exemplo é o caso do entregador do iFood Matheus Pires, que foi filmado ouvindo insultos racistas de um jovem. A filha dos atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, Titi, também já foi vítima de ataques na internet por conta da cor da pele.

Nesse cenário, como a sua escola pode ajudar a educar as crianças, adolescentes e jovens para que fatos como esses deixem de existir? É justamente sobre isso que trataremos neste artigo!

O que é o racismo estrutural?

Antes de tudo, porém, é essencial a compreensão do que é o racismo estrutural. Trata-se de um termo utilizado para evidenciar sociedades que privilegiam algumas pessoas em detrimento de outras por conta da cor da pele.
É algo que está na base da construção histórica, na estrutura daquela sociedade.

No Brasil, o que se tem ao longo da história é o privilégio sendo conferido a pessoas brancas. Muitas vezes, isso já é algo tão enraizado entre os indivíduos que muitos nem se dão conta da existência desse fato.

Exemplos de práticas antirracistas

Diante desse triste quadro, práticas antirracistas devem fazer parte do dia a dia das pessoas, de maneira a ajudar a combater esse mal que atinge a sociedade. Separamos algumas delas!

Discutir o tema

Não basta reconhecer que existe o racismo. É preciso discutir o assunto, evidenciá-lo, tornar a luta contra ele cada vez mais algo visível para todos.

Não tentar silenciar as vítimas

Muitas vezes, pessoas pretas denunciam o racismo, mas recebem como resposta frases como “os pretos é que são os mais racistas”, “isso não foi racismo” ou “agora tudo é racismo”. Não seja uma dessas pessoas. Não tente calar quem sofre. Saiba acolher!

Procurar sempre se educar em relação ao assunto

Embora o racismo seja uma realidade antiga, como está bastante enraizado na sociedade, muitas vezes não há amplo conhecimento sobre o tema. Por causa disso as pessoas têm dúvidas sobre o que é ou não discriminação por conta da cor da pele.

É por isso que é tão importante procurar sempre entender o assunto e estudá-lo buscando boas fontes de informação, principalmente entre lideranças que lutam pela causa antirracista.

Denunciar o racismo

Não ficar calado também é importante. Foi vítima ou viu uma cena de racismo? Denuncie! É essencial ajudar a coibir esse tipo de ação e mostrar às pessoas que as praticam que elas não ficarão impunes.

Como inserir a pauta antirracista nas salas de aula?

Quando um profissional entende o que é o racismo, quais são algumas das principais práticas antirracistas e passa a agir de acordo com elas no dia a dia, fica muito mais fácil e eficaz trabalhar o tema em sala de aula. Separamos algumas dicas sobre como isso pode ser feito!

Pense o currículo estrategicamente

As práticas antirracistas na escola começam logo na definição do currículo. É importante inserir matérias que evidenciem a cultura do povo preto e sua história.
É essencial buscar um material didático que realmente mostre de forma aprofundada tudo isso e que valorize a contribuição dos negros na construção do Brasil e do mundo.

Leve elementos culturais da cultura negra para a sala de aula

Outra atitude importante nesse sentido é levar elementos próprios da cultura negra para que os alunos possam vê-los pessoalmente.
Isso fará com que entrem em contato com cada um deles de maneira muito mais intensa e marcante, ao senti-los, tocá-los, ouvi-los.

Conte com a ajuda da arte e dos livros

As artes são uma ótima forma de expressão e podem auxiliar bastante a conduzir os estudantes a um entendimento maior acerca da importância das pessoas pretas ao longo da história. Danças, pinturas, peças de teatro, entre outros, são elementos relevantes nesse processo.
Bons livros, inclusive aqueles com autores e ilustradores pretos, também são um excelente investimento.

Não faça ações apenas em datas comemorativas

Lembre-se sempre: as ações antirracistas não devem ter um dia certo para acontecer. Não espere somente as datas comemorativas para pensar em atividades interessantes ou para valorizar o povo preto.

Esse tipo de ensino e transmissão de conhecimento deve ser algo devidamente inserido no plano educacional e no dia a dia, ao longo do ano letivo.

Como a escola pode ser verdadeiramente antirracista e não só na teoria?

Não basta que a instituição de ensino promova a prática antirracista na sala de aula. É imprescindível que a escola também a aplique em seu cotidiano. Veja o que a instituição pode fazer nesse sentido!

Contratar mais professores pretos

O mercado de trabalho, infelizmente, ainda permanece discriminatório com os negros, que têm menos oportunidades e costumam receber menos do que os brancos. Que tal ajudar a mudar isso?

Contratar mais professores pretos vai, ao mesmo tempo, contribuir para a igualdade no trabalho e valorizar o que eles têm a dizer em sala de aula sobre a sua própria história, identidade e cultura.

Dar voz ao que os colaboradores pretos têm a dizer

Nesse sentido, é essencial que a escola não somente contrate colaboradores pretos, mas que também dê voz a eles.
Escute as sugestões que eles têm para as aulas e atividades, entenda por que elas são valiosas e ajude-os a colocá-las em prática.

Ser sensível aos acontecimentos

Por fim, a direção da escola deve ser sensível ao que ouve e fala em relação a tudo o que envolve o racismo. É preciso saber acolher as demandas que chegam, entender o contexto em que elas estão inseridas e ajudar a combater qualquer prática discriminatória na escola, com eficiência, agilidade e munido pelos sentimentos de justiça e de amor ao próximo.

Quando as escolas se propõem a fomentar a prática antirracista entre os alunos e colaboradores, elas estão contribuindo para dar fim a uma batalha contra uma história de dor e sofrimento que atinge as pessoas pretas no País.

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